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sexta-feira, 12 de março de 2010

São Paulo, 05 de Março de 2010 - 17:31

Bioeletricidade responderá por 12% da matriz em 2020, diz associação

Estudo da entidade aponta também consolidação e aumento

da participação estrangeira no setor

Por Luciano Costa

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Unica/Divulgação

A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) apresentou nesta quinta-feira (03/03) o Programa Bioeletricidade 2011-2020, que traça o futuro da cogeração de energia elétrica no País. O estudo aponta que a participação na matriz brasileira das usinas a biomassa movidas a partir do bagaço da cana-de-açúcar deve passar dos atuais 4% para 12% durante o período. Já a capacidade instalada em operação passaria, segundo a entidade, de 3.866MW para 14.285MW, com a entrada no sistema de 40 a 50 novos projetos a cada ano.

De acordo com a Cogen, existe a disponibilidade de biomassa (bagaço e palha de cana) para produzir 30.000MW - número que pode até subir devido à utilização de tecnologias mais eficientes nas caldeiras de alta pressão. Para aumentar ainda mais o potencial, o programa sugere desenvolver o aproveitamento também da vinhaça, um resíduo líquido que sobra após a produção do álcool, para a geração de bioeletricidade.

No documento, são apontados alguns caminhos para a biomassa de cana. Um dos pontos vistos como essenciais é a promoção de ajustes regulatórios para a realização de leilões específicos da fonte - por meio de certames voltados a fontes alternativas ou para a contratação de energia de reserva. Com isso, seria possível uma oferta contínua para a expansão do sistema de ao menos 1.000MW ao ano.

A previsão é de que, para concretizar esse crescimento, sejam necessários R$3,5 bilhões de investimento a cada ano, o que geraria receitas de R$750 milhões anuais com a venda da bioeletricidade. Esse valor envolve também negociações no mercado livre, onde a Cogen quer aumentar a participação da biomassa. Há ainda a expectativa de que as usinas gerem anualmente R$50 milhões com a comercialização de créditos de carbono.

Uma questão apontada como desafio para o programa é a transmissão da energia elétrica gerada. No primeiro certame específico para a contratação de biomassa, promovido em 2008, o governo colocou como solução as Instalações Compartilhadas de Transmissão (ICGs), que foram adotadas também para solucionar o mesmo problema em relação às usinas eólicas licitadas no ano passado. A Cogen pretende, agora, realizar estudos de planejamento para acesso e conexão à rede elétrica em São Paulo. O Estado aparece como um dos focos do programa, juntamente com Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Paraná e a região Nordeste.

O Programa Bioeletricidade está ainda em fase de planejamento e deve estar concluído até abril. No estudo apresentado pela Cogen nesta quinta, a associação aparece como responsável pelos estudos de conexão e pelo apoio técnico a empreendedores e agentes do setor elétrico. A União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) também participará do projeto, com colaboração em questões institucionais e de regulação.

No documento da Cogen aparece também uma previsão sobre o futuro do mercado de bioeletricidade. Segundo a entidade, "o constante crescimento dos maiores grupos demonstra o potencial de consolidação do setor". Em 2005, os cinco maiores grupos detinham 12% do mercado. Essa participação saltou para atuais 27% e deve chegar a 40% em 2015.

O capital estrangeiro também tem cada vez mais investido na geração a biomassa. Há cinco anos, esses recursos financiavam 6% dos projetos do setor. Hoje, essa participação está em 25% e, segundo a Cogen, deve ser de 40% em 2015.

Confira abaixo um gráfico que projeta o crescimento da fonte:

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