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sexta-feira, 19 de março de 2010

Selic divide mercado e também o Copom


  • 18 Mar 2010
  • Valor Economico


  • Eduardo Campos é repórter E-mail: eduardo.campos@valor.com.br


Em dia de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), os contratos de Depósito Interfinanceiros (DI) tiveram recorde histórico de negociação. Foram 4,54 milhões de contratos negociados, sendo que cerca de 4 milhões deles no contrato de abril de 2010. Isso ilustra bem o quão dividido o mercado foi para a reunião de ontem. Divisão que também foi vista na diretoria do Banco Central. Mas não foi só o volume que chamou a atenção no pregão pré-Copom. O posicionamento dos agentes, que vinham aumentando as compras e indicando maiores apostas de alta, foi fortemente revertido ao longo da quarta-feira, e os vencimentos terminarem apontando para baixo. Agora, é esperar o ajuste da curva futura à decisão. E quem teve a visão (ou a sorte) de mudar a mão na última hora acabou se dando bem, já que o colegiado optou pela estabilidade da Selic em 8,75% ao ano. A taxa é mantida assim desde setembro de 2009.

Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, a decisão era difícil, mas já se esperava essa manutenção com resultado dividido. Foram 5 votos pela manutenção contra 3 pela alta. “A sinalização foi muito forte. É um indício de que o processo de ajuste será iniciado em abril”, diz Flávio Serrano.

O aumento seria mais surpresa do que manutenção, para o economistachefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, que trabalhava com elevação da taxa. “Como o Copom foi dividido como o mercado, isso mostra que a economia está aquecida”, diz Velho, acreditando que os três votos pela alta da taxa partiram da diretoria técnica do BC.

Olhando para a curva futura, a expectativa é de algum ajuste hoje, seguido porumperíodo de estabilidade, já que se consolida a previsão de alta de 0,5 ponto percentual na reunião do dia 28 de em abril.

No câmbio, o dólar segue na mesma. O gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Kanuer, acredita que será difícil a moeda romper a banda de R$ 1,760 a R$ 1,780 de forma agressiva. Falta firmeza no cenário externo e não são feitas grandes posições de compra ou de venda. “Dentro desse cenário, não há como fazer apostas com algum grau de certeza, resume. Os agentes também discutiram ao longo do dia as emissões externas do Bradesco, Vale e Banco Espírito Santo. As operações não tiveram grande influência na formação da taxa. Mas, de acordo com Knauer, são deixam de ser boa notícia, pois mostram demanda por Brasil no mercado externo.

Como acontece toda a quarta-feira, o Banco Central mostrou o fluxo cambial parcial. Na segunda semana de março, as saídas ultrapassaram as entradas em US$ 337 milhões. Já o BC, por meio de suas compras diárias, retirou outros US$ 727 milhões de circulação. Com isso, o saldo líquido do mercado foi negativo em US$ 1,06 bilhão. Cabe ressaltar que os dados não são condizentes com o comportamento do dólar comercial no período, pois a moeda caiu 1,23%, dentro de um ambiente de fluxo negativo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Economia cresce e pressiona juros

  • 12 Mar 2010
  • Valor Economico
  • Eduardo Campos é repórter E-mail: eduardo.campos@valor.com.br

O crescimento das vendas no varejo acima das expectativas em janeiro e o ritmo forte de expansão da economia no final do ano voltaram a pressionar os juros no mercado futuro da BM&F ontem. Omercado aumentou as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa elevar a taxa Selic, atualmente em 8,75%, já na reunião da próxima semana. O maior gatilho para as posições compradas no mercado futuro de juros foram as vendas varejistas de janeiro, que subiram 2,7%. Já o PIB do quarto trimestre, anunciado ontem pelo IBGE, confirmou a acelerada recuperação da economia brasileira, avançando 4,3%.

As declarações feitas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dando conta de que a economia “entrou em fase de expansão vigorosa”, também deram mais força à corrente de mercado que espera uma alta dos juros na próxima semana, segundo o economista-sênior para a América Latina da empresa de análises de mercado 4Cast, Pedro Tuesta. Os rumores sobre a saída iminente de Henrique Meirelles do Banco Central continuaram circulando no mercado. Como notou o diretor de gestão da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, não que a saída vá mudar a condução da política monetária no curto prazo, mas isso não deixa de ser um estímulo para o acúmulo nos prêmios de risco.

Refletindo isso, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para vencimento em abril de 2011, o mais líquido do dia, subiu 0,06 ponto, para 8,82%, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). E o DI para janeiro de 2011 acumulava 0,05 ponto, a 10,52%. O volume negociado seguiu elevado, passando de 1,5 milhão de contratos.

Outra corrente do mercado não vê necessidade de elevação da Selic agora em março. Olhando os mesmos dados, o economista da LCA Bráulio Broges extraiu elementos que contradizem o senso de urgência de alta na Selic. O ponto inicial é que o consumo das famílias segue crescendo, mas em ritmo menor que nos trimestres anteriores. “Isso confirma a história que, daqui para frente, o consumo não deve ter mais o mesmo fôlego e isso é importante para a política monetária, pois dá mais tempo para o BC avaliar se os choques do começo do ano foram ou não reflexo de demanda”, notou o economista.

Pelo lado da inflação, a avaliação da LCA é categórica: 84% da surpresa inflacionária do primeiro bimestre do ano é reflexo de choque de oferta e reajustes pontuais. Ou seja, não há relação com a atividade. “Realmente não concordo com esse senso de urgência de alta de juros em março.”

No mercado de câmbio, o dia foi morno. O dólar comercial oscilou apenas R$ 0,009 entre máxima e mínima, até fechar com leve baixa de 0,16%, a R$ 1,770. No mês, no entanto, a moeda já cai 2,05%. Segundo o analista da BGC Liquidez, Mário Paiva, essa queda do dólar em março reflete a expectativa do fluxo de entrada em função das ofertas de ações que vão acontecer ao longo do mês.