Páginas

Mostrando postagens com marcador aneel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aneel. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de março de 2010


Furnas discorda de multa da Aneel sobre apagão de 2009

Agência aplicou penalidade de R$53,7 milhões por falhas na manutenção de equipamentos
Da redação
Fonte MaiorFonte Menor
Por meio de nota, Furnas afirmou que discorda das conclusões apresentadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no que diz respeito às causas do blecaute ocorrido no dia 10 de novembro de 2009, que deixou 18 Estados sem energia elétrica e retirou pouco mais de 24 mil MW do sistema elétrico. A estatal diz também que entrará com recurso contra a multa de R$53,7 milhões aplicada pela área técnica da agência reguladora.
A empresa justifica que "o relatório do Operador Nacional do Sistema (ONS) concluiu que o blecaute foi causado por condições climáticas severas e que todas as normas e padrões técnicos foram atendidos (o que foi reiterado pelo Centro de Pesquisas em Energia Elétrica), não cabendo atribuir o evento a falha de operação ou de manutenção", como aponta o relatório do órgão regulador.
Ainda de acordo com Furnas, de 2005 a 2009, foi investido mais de R$1,2 bilhão na modernização do sistema de transmissão, no qual estão incluídos os 900 quilometros e as 9.500 torres do circuito de Itaipu.

São Paulo, 26 de Março de 2010 - 14:12

Aneel culpa Furnas por blecaute de 2009 e aplica multa de R$53,7 mi

Apagão deixou 18 Estados sem energia elétrica e teve origem na linha de transmissão de Itaberá
Por Milton Leal
Fonte MaiorFonte Menor
GettyImages














O blecaute que deixou 18 Estados sem energia elétrica em 10 de novembro de 2009 teve sua origem no desligamento dos circuitos 1, 2 e 3 da linha de transmissão de 765KV de Itaberá, que transporta a energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu (14.000MW).
Segundo o relatório da área de fiscalização da Aneel, que foi publicado nesta quinta-feira (25/03), a falha ocorreu porque Furnas, responsável pela operação da linha, executou alterações nas unidades instantâneas de sobrecorrente dos reatores dos circuitos 1 e 2 da linha Ivaiporã – Itaberá, mas não efetuou o mesmo procedimento no circuito 3, como havia sido estipulado pela agência em julho do ano passado. A área técnica do órgão regulador decidiu, devido a esse fato, multar a empresa estatal em R$53,7 mihões.
“No dia 10 de novembro, o ajuste da proteção de sobrecorrente residual do reator do circuito 3 em Ivaiporã não havia sido alterado de 800A para 1600A, quando ocorreu uma corrente de cerca de 1500A, provocando o desligamento do terceiro circuito entre Ivaiporã e Itaberá, abrindo a interligação elétrica entre as duas subestações”, diz trecho do relatório de fiscalização da Superintência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade (SFE) da Aneel.
A assessoria de imprensa de Furnas informou à reportagem do Jornal da Energia que a companhia foi notificada e que irá recorrer da decisão da Aneel. A empresa afirma que o blecaute não ocorreu devido a falhas de equipamentos.
Ainda de acordo com o documento, na ocorrência as proteções dos circuitos 1 e 2 atuaram corretamente. “O circuito 3 desligou pela atuação da proteção de sobrecorrente residual do reator na linha de transmissão no terminal de Ivaiporã, devido à pendência na alteração do ajuste de sua unidade instantânea”, diz outro trecho do relatório.
Os fiscais da Aneel ainda apontam que os relés semi-estáticos que estão instalados nos circuitos 1 e 2 da linha possuem tecnologia obsoleta. “No sistema de Furnas existe uma grande quantidade de relés semi-estáticos com histórico de atuações incorretas nas linhas de 765, 500 e 345KV constatadas em várias ocorrências no sistema de transmissão”.
Raio-x do blecaute
O blecaute do dia 10 de novembro de 2009 ocorrido às 22h13min teve sua origem no desligamento dos circuitos 1, 2 e 3 da linha de transmissão 765KV Itaberá - Ivaiporã provocando rejeição de 5.564MW de geração da UHE Itaipu 60 Hz, bem como a abertura dos circuitos remanescentes que compõem a interligação Sul-Sudeste, em 525KV, 500KV, 230KV e 138KV, interrompendo adicionalmente um fluxo de 2.950MW, no sentido do Sul para o Sudeste e o desligamento dos dois bipolos do Sistema HVDC, que no momento estavam transmitindo 5.329MW. Em função dos desligamentos acima mencionados e das
condições de operação do sistema ocorreram outros desligamentos que acarretaram uma interrupção total de 24.436 MW (40%) de cargas do SIN.
A perturbação teve início com uma falta monofásica (incidência de um curto-circuito - flashover), envolvendo a fase B (branca) e a terra, na linha de transmissão 765KV Itaberá - Ivaiporã circuito 1, localizado no isolador de pedestal do filtro de ondas do terminal da subestação de Itaberá. Antes da eliminação do defeito acima, cerca de 13,5 milissegundos após, ocorreu um novo curtocircuito monofásico envolvendo a fase A (vermelha) da LT 765KV Itaberá - Ivaiporã circuito 2.
Na seqüência, antes da eliminação dos defeitos nos circuitos 1 e 2, houve novo defeito cerca de
3,5 milissegundos depois, envolvendo a fase C (Azul), localizado na Barra A de 765KV da subestação de Itaberá.
A falha da LT 765KV Itaberá - Ivaiporã circuito 1 foi eliminada pelas atuações das proteções principal e alternada de distância, baseadas no princípio de ondas trafegantes, em 48 milissegundos, em ambos os terminais da linha.
A falha na LT 765KV Itaberá - Ivaiporã circuito 2 foi eliminada em 48,8 milissegundos, pelas atuações das proteções principal e alternada de sobrecorrente direcional para faltas desbalanceadas (MOD III-GE), unidades de subalcance em Itaberá e de sobrealcance, associados aos esquemas de teleproteção, no terminal de Ivaiporã.
A falha na Barra A – 765KV, da subestação de Itaberá, foi eliminada pela atuação da proteção Diferencial de Barra local, em 41,9 milissegundos. Decorridos 42,2 milissegundos da eliminação da última falta, houve a atuação da proteção de sobrecorrente instantânea residual do Reator “shunt” da LT 765KV Itaberá – Ivaiporã circuito 3, em Ivaiporã, acarretando o desligamento de Ivaiporã.
Clique aqui para ler a íntegra do relatório de fiscalização
Clique aqui para ler a exposição de motivos.

segunda-feira, 29 de março de 2010


Lobão minimiza relatório da Aneel sobre blecaute

LEONARDO GOY  Agencia Estado

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, minimizou hoje o relatório da área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que embasou a aplicação de uma multa de R$ 53,7 milhões à estatal Furnas, por conta de falhas na manutenção que teriam colaborado para o blecaute que atingiu 18 Estados em novembro do ano passado.
"Não é o relatório da Aneel. É o relatório de um engenheiro da Aneel. A diretoria da agência ainda não se manifestou sobre o assunto", afirmou o ministro. O relatório contou com a assinatura de sete técnicos da Aneel. Lobão afirmou que a agência participou até agora de todas as reuniões feitas pelo governo para discutir as causas do blecaute, e que o ministério aguarda o envio de documentação, por parte da diretoria da Aneel, sobre o relatório e as causas do blecaute.
Belo Monte
Lobão afirmou que dificilmente o governo promoverá mudanças nas regras do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, mas que de qualquer forma o governo continua conversando com os empresários que pleiteiam alterações. "Tendo sido publicado o edital fica mais difícil. Qualquer mudança é difícil, o que não quer dizer que é impossível", afirmou.
Os investidores interessados no projeto de Belo Monte formalizaram na semana passada ao governo pedido para que o preço-teto da energia da hidrelétrica, fixado em R$ 83 por megawatt hora, fosse maior. Além disso querem também o aumento de 20% para 30% na fatia da energia a ser comercializada no mercado livre. "Em princípio, não há intenção de mexer no edital", disse Lobão que participou hoje da solenidade de apresentação da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Segundo o ministro todos os pleitos para Belo Monte estão sendo discutidos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Cresce lobby para ‘pacote de bondades’ em Belo Monte


Consórcios já travam disputa nos bastidores do leilão da usina


  • 24 Mar 2010
  • Valor Economico
  • Josette Goulart
  • De São Paulo

A pressão para que o governo federal prepare um pacote de “bondades” para a licitação de Belo Monte só aumentou desde que foi publicado o edital do leilão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no fim da semana passada. Depois de alguns dias analisando o documento, os empreendedores entendem que com exceção da forma de participação dos autoprodutores não há diferenças significativas em relação aos leilões de Jirau e Santo Antônio e por isso a tarifa de R$ 83 precisaria ter benefícios associados para compensar o investimento. Isso porque o projeto de Belo Monte é muito mais complexo e com menor capacidade de produção do que os do Madeira.

Apesar de já terem lançado a possibilidade de não disputarem o leilão, nem o consórcio formado por Camargo Corrêa e Odebrecht, nem o formado pela Andrade Gutierrez, desistiram de participar da disputa. As empresas estão agora preparando suas propostas que visam tentar melhorar as condições do leilão. Antes mesmo do edital, elas já haviam conseguido convencer o governo, em reunião realizada no Ministério de Minas e Energia, que a tarifa de R$ 68 que foi ao Tribunal de Contas da União (TCU) era muito baixa. O governo voltou atrás e sob o pretexto de ponderar os custos ambientais na tarifa aumentou em 20% o preço do MWh, que ficou em R$ 83.

Existe a perspectiva de que o governo se sensibilize, pelo menos em parte, e o fato de o BNDES ainda não ter divulgado as condições do financiamento pode ser um sinal. Além disso, outras condições estão sendo requeridas. Uma delas é que a Eletrobrás aceite taxa de retorno reduzida. Pedem a redução da tarifa de transmissão que foi estabelecida em R$ 14 por MWh. Na parte de benefícios fiscais, além daqueles já associados a um empreendimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) buscam o enquadramento nos benefícios fiscais da Superintendência da Amazônia (Sudam) e financiamento do Banco da Amazônia (Basa), que tem condições melhores que a do BNDES.

Dos pedidos menos prováveis de o governo aceitar, está ainda a permissão para que após implantadas as turbinas suficientes para gerar a energia assegurada, as turbinas restantes tenham prazo maior de instalação.

Apesar de terem pedidos em comum, nos bastidores, os consórcios já travam uma disputa clara. Em Brasília, são várias as fontes que comentam ou ouviram falar de que esse seria um leilão de cartas marcadas que privilegiaria os autoprodutores. A referência é feita ao fato de que Vale e a Votorantim, que fazem parte do consórcio formado por Andrade Gutierrez e Neoenergia, poderem instalar indústrias de alumínio perto da usina, no Pará. Com isso, deixam de pagar o custo de transmissão de R$ 14 e se beneficiam de uma energia mais barata sem a pressão do retorno do investimento.

A pressão da indústria tem sido notada pelo governo. Em janeiro desse ano, ao sair de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do conselho de administração da Votorantim, Carlos Ermírio de Moraes, disse à imprensa que tem optado por produzir em outros países por causa do alto o custo da energia no país e citou como exemplos a produção de zinco no Peru e de alumínioem Trinidad Tobago. Além disso, tem o fato de que o governo do Pará, de Ana Júlia Carepa (PT), sairia desprestigiado se nenhuma nova fábrica se instalasse no Estado a reboque da usina de Belo Monte.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Aneel aprova edital do leilão de Belo Monte

Sem grandes modificações, documento traz a redução da garantia de fiel cumprimento de 7,5% para 5,5% dos R$ 19 bilhões de investimento

Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão
18/03/2010

A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou nesta quinta-feira, 18 de março, o edital do leilão da hidrelétrica de Belo Monte (PA-11.233 MW) marcado para o dia 20 de abril. O certame ocorrerá na sede da Aneel, em Brasília. O documento não sofreu grandes mudanças em relação à minuta posta em audiência pública no ano passado. A principal alteração é no ponto da garantia de fiel cumprimento, que foi reduzida de 7,5% para 5,5% do investimento previsto de R$ 19 bilhões. Com isso, o investidor terá que aportar garantias de R$ 1,045 bilhão.

Duas propostas consideradas importantes pelos investidores não foram consideradas pela Aneel. A Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia defendeu a criação de duas sociedades de propósito específico para reduzir os riscos assumidos pelos autoprodutores. Contudo, o diretor da Aneel Julião Coelho defendeu a discussão do assunto por não ver vedação legal. Já a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres pediu a constituição de um mecanismo de alívio de exposição de submercado, uma vez que a usina está locada no submercado Norte.

O leilão terá preço teto de R$ 83 por MWh com entrada em operação em 2015 da primeira turbina. A usina tem 4.571 MW médios de energia assegurada. Ficou determinado que a energia assegurada ficará com o mercado cativo até a completa motorização da usina, segundo Romeu Rufino. Belo Monte será conectada à subestação de Xingu, no Pará, para entrada da energia no Sistema Interligado Nacional.

As inscrições para o leilão ocorrerão nos dias 13 e 14 de abril através da internet. Com os passos burocráticos cumpridos, agora o mercado aguarda a decisão sobre o modelo de participação da Eletrobrás e subsidiárias no certame. Enquanto isso, dois consórcios estão se formando para a disputa de abril. O primeiro consórcio, oficialmente formado, é composto por Andrade Gutierrez Participações, Neoenergia, Vale e Votorantim Energia. Um outro consórcio formado por Odebrecht, Camargo Corrêa, Funcef e FI-FGTS está sendo fechado. O edital será disponibilizado na próxima sexta-feira, 19, no site da Aneel.

Belo Monte será mais barata que as hidrelétricas do Madeira

TCU aprova orçamento de R$19 bilhões para as obras e preço-teto do leilão de R$83 por MWh

Por Milton Leal

Fonte MaiorFonte Menor
Flickr

O Tribunal de Contas da União aprovou nesta quarta-feira (17/03) o novo orçamento e preço-teto do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte (11.233MW).

O TCU elevou de R$16 bilhões para R$19 bilhões o custo total de construção do empreendimento e incrementou em 22% o preço inicial da licitação da planta, que será disputada a partir de R$83 o MWh. Apesar disso, o projeto do rio Xingu, no Pará, será mais vantajoso que as hidrelétricas de Santo Antônio (3.150MW) e Jirau (3.450MW), que estão sendo erguidas no rio Madeira, em Rondônia.

De acordo com o acórdão do TCU, que aprovou os números elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a relação entre investimento e a energia assegurada da hidrelétrica de Belo Monte é de R$4.227/KW, contra R$4.280/KW de Santo Antônio e R$4.425/KW de Jirau. O relatório ainda destaca que, em função da escala, já que a potência de Belo monte é quatro vezes a de Santo Antônio, pode-se esperar um valor ainda menor para a planta do Xingu.

Quando se compara o investimento com a potência instalada de cada usina, a diferença é ainda maior. Belo Monte apresenta uma relação de R$1.665/KW, enquanto Santo Antônio e Jirau registram R$3.000/KW e R$2.600/KW, respectivamente.

Nesta quinta-feira, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza reunião extraordinária, às 10h, em Brasília (DF), para aprovar o edital do certame, que deverá ocorrer, após 30 dias da publicação do documento no Diário Oficial da União.

O valor total do investimento na usina subiu porque foram incorporados no orçamento R$762 milhões decorrentes de exigências ambientais impostas pela licença prévia emitida pelo Ibama. Além disso, houve incrementos referentes aos custos indiretos de implantação da obra, alterações para cima no custo de capital próprio e de terceiros e o custo marginal de referência (CMR) também sofreu aumento. Em contrapartida, a taxa de risco cambial caiu de 1,5% para 1%.

O preço-teto, que foi proposto pela EPE, é 32% menor que o preço inicial estipulado para os leilões da usina de Santo Antônio (R$122 por MWh) e quase 9% inferior aquele determinado para a licitação de Jirau (R$91 por MWh).

Consórcios

Até agora, dois consórcios já se formaram para disputar o empreendimento. De um lado, as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht lideram o primeiro grupo. Andrade Gutierrez, Vale, Neoenergia e Votorantim vão disputar na outra ponta.

Nesta quarta, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que a pasta divulgaria a forma de participação da Eletrobrás no leilão da usina de Belo Monte. Segundo Lobão, o governo iria decidir se uma subsidiária da empresa entraria em um dos consórcios que irão disputar o certame ou se a estatal entraria como sócia do consórcio vencedor após a licitação. Até o fechamento desta matéria, o ministério ainda não havia feito qualquer pronunciamento oficial.

Distribuidoras no Rio terão que indenizar apagões


  • 17 Mar 2010
  • Valor Economico
  • (DF)
  • De Brasília


Mais de um milhão de cariocas deverão receber abatimentos nas contas deste mês, a serem pagas em abril, por conta de indenizações impostas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) às distribuidoras Ampla e Light. O total dessas indenizações será de R$ 5,8 milhões, segundo as empresas, o que dá a média de cerca de R$ 5,80 por indenizado.

O ressarcimento tem origem no excesso de interrupções de fornecimento de energia pelas distribuidoras no mês de janeiro, o primeiro em que a agência passou a adotar as medidas individuais de qualidade para exigir ressarcimentos. Segundo a Light, serão ressarcidos 550 mil clientesemvalor de R$ 2,8 milhões e, para a Ampla, o número de clientes indenizados será de 500 mil, em valor de cerca de R$ 3 milhões.

Executivos das duas empresas estiveram reunidos com oministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ontem e anunciaram antecipação de investimentos na qualidade do fornecimento.

Se houver quebras dos limites nos meses seguintes a janeiro, as empresas poderão voltar a ter de ressarcir os consumidores, segundo Nelson Hubner, diretorgeral da Aneel, que também esteve presente na reunião. Além da indenização, a Light já foi multada pela agência em R$ 9,5 milhões por falhas recentes no fornecimento e o processo da Ampla segue em análise técnica.

Como forma de diminuir a incidência de apagões, a Aneel estuda usar revisões tarifárias como meio indutor para que as empresas distribuidoras de energia invistam mais em infraestrutura. "A Aneel está olhando com muito mais carinho uma forma de contemplar, de fato, nas revisões tarifárias a questão do investimento", afirmou Hubner. Uma valor de investimentos para manter a qualidade do fornecimento é considerado pela agência ao definir os reajustes.

Para o diretor, é importante elevar os investimentos das empresas nessa rubrica, tendo em vista que a qualidade do serviço de distribuição de energia prestado no país estancou. Segundo Hubner, para algumas empresas ouve inclusive uma "reversão" nos índices de qualidade.

Na manhã de ontem, novo apagão ocorreu no Distrito Federal. Segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), ele foi causado pela pane em uma subestação, que causou sobrecarga de demanda nas demais.

Plano prevê redução de 10% da carga


Programa de eficiência, a ser divulgado em abril, concederá incentivos fiscais

  • 17 Mar 2010
  • Valor Economico
  • Danilo Fariello
  • De Brasília


O Plano Nacional de Eficiência Energética, que deve ser divulgado em abril, prevê a redução gradual de 106 terawatts-hora (TWh) no consumo até 2030 e a concessão de incentivos fiscais para toda a cadeia energética, segundo as propostas dos técnicos do Ministério das Minas e Energia. Planejado desde 2005, só agora o plano está praticamente pronto e vai contemplar um leque de políticas públicas para incentivar os investimentos em tecnologia, como trocar os medidores domésticos e acelerar a definição de normas para que a indústria de eletrônicos informe seus níveis de consumo.

CLAUDIO BELLI/VALORNelson Hubner, diretor-geral da Aneel: “É preciso preparar a indústria nacional para a troca de medidores”

Haverá, ainda, programas de educação dos consumidores, qualificação das empresas para adotar estratégias de controle de uso e, inclusive, a redução de gastos em iluminação pública e saneamento básico.

Estão previstos o uso da Conta de Desenvolvimento Energético — hoje aplicada no programa Luz para Todos — e financiamentos específicos pela Caixa Econômica Federal, BNDES e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Se for prorrogada a cobrança da Reserva Global de Reversão — outro encargo destinado ao Luz para Todos —, ela também poderá financiar as medidas do plano.

A indústria reivindica a redução de IPI para geladeiras e equipamentos que sejam fabricados com padrões de menor consumo. No início do ano, o Ministério da Fazenda adotou posição similar ao manter a isenção de IPI, definida no auge da crise econômica global de 2008, apenas para aparelhos da linha branca de baixo consumo.

O valor total do programa e de todos os incentivos fiscais previstos ainda deve passar pelo crivo de outros ministérios e da Casa Civil. Por restrições legais para que se coloque o plano em prática integralmente, o Executivo deverá enviar propostas de lei ao Congresso para, por exemplo, prever a nova destinação da Conta de Desenvolvimento Energético.

Segundo Hamilton Moss de Souza, diretor da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, a economia de 106 TWh significa um quarto do consumo anual do país hoje e representará 10% da carga em 2030. A previsão do governo, portanto, é de que o consumo no país vai crescer 1,5 vez até lá. O montante economizado equivalerá a quase uma usina hidrelétrica de Itaipu por ano.

“Eficiência energética significa não consumir o que não faz tanta falta ou gastar melhor”, disse. Não se trata de medidas emergenciais, mas de estimular a adoção de produtos e equipamentos que gastem menos energia, como trocar lâmpadas incandescentes por LED, explicou o diretor. Para a substituição de aparelhos, serão necessários investimentos públicos e incentivos do governo à indústria nacional.

Embora a economia de energia elétrica possa reduzir a receita das distribuidoras, com contas menores, elas também têm interesses financeiros no programa porque a troca de equipamentos dos consumidores deve reduzir a potência que a companhia tem de manter disponível, com efeitos positivos sobre os custos dessas companhias.

Os incentivos fiscais vão mirar principalmente a indústria nacional nessa adaptação de equipamentos, como já ocorreu no programa de substituição de geladeiras. A troca dos medidores residenciais para um sistema digital inteligente, por exemplo, pode envolver cifras bilionárias, pois cada residência teria de adquirir um aparelho que hoje varia entre R$ 200 e R$ 300.

Segundo Nelson Hubner, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tema envolve um esforço articulado da agência com ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento. “É preciso preparar a indústria nacional para absorver isso.” Para ele, a adoção de medidores inteligentes é um rumo que fatalmente o país seguirá em algum momento no futuro.

“O plano está em linha com as últimas metas do governo em redução de emissões de C02”, disse Souza. Nessa linha, o programa prevê a intensificação de equipamentos de geração de energia solar, propondo o conceito de “cidades solares”.

O plano de eficiência energética foi debatido no segundo semestre do ano passado com várias instâncias do governo, empresas, universidades e associações que representam os diferentes elos do setor. Segundo Souza, o governo passou a se preocupar não só com o crescimento da geração da energia elétrica, mas também com o crescimento da demanda do país.

O plano deverá definir a coordenação e a ampliação de uma série de medidas já adotadas pelo governo federal em busca de maior eficiência energética. O BNDES, por exemplo, possui uma linha de financiamento para projetos com esse perfil, o Proesco.

Na semana passada, o próprio ministério publicou no “Diário Oficial da União” consulta pública para definir programas de metas de consumo de eletrodomésticos. E, ontem, a Aneel assinou com o Ministério de Ciência e Tecnologia protocolo de entendimento, para pesquisas para desenvolvimento tecnológico do setor.

No início do mês, o Ministério de Minas e Energia adotou outra posição para atuar no gerenciamento da demanda. Foi à consulta pública uma portaria que prevê a possibilidade de grandes consumidores de energia poderem vender os excedentes de seus contratos. Dessa forma, as indústrias poderão administrar melhor seu consumo ao contratar energia de longo prazo com a possibilidade de ceder parte dela, se a previsão de ampliação de gastos não se concretizar.

Segundo o plano, é exatamente na indústria onde está o maior o potencial de aumento da eficiência energética. Pela alta procura, a consulta teve o prazo prorrogado para o dia 26.