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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Energia – mitos que custam caro

  • 19 Nov 2010
  • O Estado de Sao Paulo
  • WASHINGTON NOVAE


É preciso prestar atenção ao estudo que acaba de ser divulgado pela Confederação Nacional da Indústria ( Estado, 11/11), segundo o qual a indústria brasileira pode economizar 25% da energia que consome, a começar pela indústria siderúrgica, seguida pelos setores de cerâmica, química, papel e celulose e cimento. É um trabalho na mesma direção do estudo feito em 2006 pela Unicamp, WWF e outras instituições, mostrando que o País pode viver tranquilamente com metade da energia que consome hoje: pode economizar 30% com conservação e eficiência energética (tal como fez no “apagão de 2001, sem nenhum prejuízo para o País); mais 10% com ganhos nas linhas de transmissão (que hoje perdem entre 15% e 17% da energia que transmitem); e mais 10% repotenciando geradores antigos de usinas, hoje com baixo rendimento, e a custos muitas vezes menores que o da construção de mais hidrelétricas. Esse estudo está sendo revisto neste momento por um grupo no Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, coordenado pelo ex-ministro e ex-secretário José Goldemberg, que está preocupado com o processo de licenciamento de novas usinas na Amazônia, principalmente nas regiões dos Rios Teles Pires e Tapajós, que implicam problemas em terras indígenas, parques e áreas federais de conservação – sem falar no projeto de Belo Monte, que recebeu no próprio Ibama mais dois pareceres contrários ao início das obras.
LOREDANO
Paulo Bernardo, ministro do Planejamento
Curiosamente, o planejamento federal no Brasil continua a trabalhar com a premissa de que o País, para crescer 7% ao ano nos próximos 12 anos, precisa dobrar seu consumo per capita de energia ( Agência Brasil, 7/7). E para isso precisaria acrescentar mais 5,1 GW ao seu potencial energético a cada ano, até 2022. Planejamento provavelmente comandado pelo oligopólio das grandes construtoras de usinas, geradoras e distribuidoras de energia – levando em conta seus interesses específicos, não exatamente os de todo o País. Não por acaso, o governo federal inicia neste momento o leilão de mais dez hidrelétricas, com potência total de 3.820 MW, metade das quais nas bacias dos Rios Teles Pires e São Francisco e metade na do Parnaíba (Maranhão e Piauí). As hidrelétricas do Teles Pires serão altamente complicadas, por incluírem terras indígenas e parques nacionais, da mesma forma que as da bacia do Tapajós, que deverão vir logo a seguir.
Se ainda fosse pouco, o setor de energia está dando prioridade nos novos leilões a usinas termoelétricas, altamente poluidoras, sob o pretexto de poupar água nos reservatórios de hidrelétricas. Por essas e outras, o consumo médio de energia termoelétrica em setembro último chegou a 12,5 vezes mais que em setembro do ano passado ( Folha de S.Paulo, 7/10). Tem mais: o governo federal dobrou o subsídio para uso de energia termoelétrica na Região Norte do País, que este ano vai para R$ 4 bilhões – distribuídos pelas contas de todos os consumidores no País, inclusive dos que eventualmente estejam lendo este artigo. Algo tão abstruso que o Tribunal de Contas da União já sentenciou que a Aneel não tem nenhum controle sobre o consumo real de combustível nas 301 termoelétricas da região ( Folha de S.Paulo, 14/8) – enquanto destina a energia hidrelétrica de Tucuruí, muito mais barata, quase toda para os conglomerados de exportação de alumínio, com altíssimos subsídios (que também vão para a conta de todos os consumidores no País). Da mesma forma que provavelmente fará com a energia da vergonhosa Usina de Belo Monte. E por essas e outras a produção de energia termoelétrica passou de 5,6% do total em junho do ano passado para 7,8% em junho deste ano (idem, 7/7).
A iniciativa do estudo da Confederação Nacional da Indústria, por isso, é muito bem-vinda. Outro estudo, do IFC, que é órgão do Banco Mundial, mostrou há poucos dias que os edifícios comerciais e públicos no Brasil consomem 80% da energia total (reforçando a tese da possibilidade de redução enfatizada pela Unicamp/WWF). A economia de energia fica ainda mais decisiva se se atentar para números divulgados por este jornal (3/9): 54,8% da energia consumida no País não provém de fontes renováveis, só o petróleo e derivados respondem por 40% (hidrelétrica, 13,9%).
Também adquire importância excepcional iniciativa da Hidrelétrica de Itaipu de estimular e financiar a implantação de sistemas geradores de energia em pequenas propriedades rurais a partir do biogás derivado de dejetos animais (bois, porcos, frangos). Além de reduzirem seus gastos com o pagamento de energia da rede, principalmente nos horários de pico (quando ela é mais cara), os pequenos produtores podem colocar o excedente da produção de energia na rede estadual de distribuição e ser remunerados por isso. É um exemplo a ser seguido em todo o País.
A cada dia são mais alarmantes as notícias sobre desastres climáticos, intensificados pela emissão de gases que se concentram na atmosfera, bem como sobre a insustentabilidade dos atuais níveis de consumo de recursos no mundo. O relatório sobre “pegada de carbono” na China divulgado pelo WWF ( Agência EFE
Lá, como em toda parte, o setor da energia é o maior responsável por emissões. Por isso o mundo terá de caminhar rapidamente para a redução do consumo de energia e para o uso de combustíveis renováveis e não poluentes. Não se deve perder tempo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

rojetos economizam quase 1% de uma Itaipu

Estudo da CNI avaliou 217 programas de eficiência energética adotados pela indústria brasileira


  • 12 Nov 2010
  • Valor Economico
  • Samantha Maia
  • De São Paulo

Os esforços recentes da indústria brasileira em projetos que melhoram a eficiência do uso da energia no processo produtivo proporcionaram uma economia anual de 626 gigawatts/hora (GWh) desde 2007, o que equivale a cerca 0,7% da produção da usina de Itaipuem um ano. A informação é resultado do levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) com base em 217 projetos já finalizados ou em andamento, que representam um investimento de R$ 161 milhões. Segundooestudo, essa economia gerada pelo ganho de eficiência energética equivale à geração de energia de uma usina com 87 megawatts (MW) de potência instalada. Para ter uma base de comparação, a usina de Santo Antônio, em construção no rio Madeira (RR), terá uma capacidade instalada de 3 mil MW.
Os setores que mais têm investido em ganho de eficiência no uso de energéticos são o de siderurgia e o químico, que juntos foram responsáveis pela redução anual de 274GWh, resultado deuminvestimento de R$ 82 milhões.
O potencial de economia de energia no país, no entanto, é muito maior, segundo Rodrigo Garcia, analista da entidade e coordenador do projeto. Caso fossem implementadas todas as possibilidades economicamente viáveis de aumento de eficiência energética na indústria brasileira, a queda de consumo das empresas seria de 6,4% nos próximos 20 anos, uma economia acumulada de R$ 85 bilhões nas contas de energia.
Garcia explica que para essa projeção foram consideradas todas as soluções existentes hoje no mercado. Alguns setores chamam atenção no potencial de redução do uso de energia, como o siderúrgico, o de papel e celulose, e de alimentos e bebidas. No caso da siderurgia, que utiliza fornos na sua produção, o potencial de economia no uso de energéticos é de 62%. “Os investimentos não são realizados, porém, porque faltam condições favoráveis. Na hora de investir, a prioridade é aumento da produção, e não ganho de eficiência”, diz o analista.
Os empresários reivindicam melhores condições para investir em ganho de eficiência, como redução de juros e aumento do período de carência. Outra deficiência nacional é a falta de pessoal capacitado para trabalhar com novas tecnologias. O estudo compara a situação do Brasil com outros países e aponta que uma das providências mais urgentes é o país ter uma política nacional que oriente a ação das empresas.
Não é por acaso que a divulgação do estudo ocorre pouco antes da publicação para consulta pública do plano nacional de eficiência energética pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A divulgação do documento deve ocorrer até dezembro, segundo o secretário de desenvolvimento energético do MME, Paulo Augusto Leonelli. “O plano está sendo trabalhado há um ano com a colaboração de entidades empresariais”, diz ele.
O documento deve trazer um amplo diagnóstico dos setores da economia e traçar diretrizes que atendam à meta de redução de consumo indicada pelo Plano Nacional de Energia - 2030, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A previsão é de que anualmente sejam economizados 106 TWh de consumo contra um cenário em que não haja nenhum ganho de eficiência. Segundo Leonelli, isso é 20 vezes mais do que hoje é contabilizado pelo Programa Nacional de Conservação deEnergia Elétrica (Procel).