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sexta-feira, 19 de março de 2010

Renova Energia interrompe por 60 dias oferta pública de units

Razões estratégicas e condições do mercado motivaram a decisão

Da redação

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A empresa Renova Energia solicitou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a interrupção da análise do pedido de registro de oferta pública primária de certificados de depósito de ações (units) por até 60 dias úteis. Razões estratégicas e condições do mercado motivaram a decisão.

Segundo o comunicado, emitido nessa quarta (17/03), pedidos de reserva realizados por investidores serão cancelados e, no caso dos que já tenham feito pagamento, os valores depositados serão devolvidos no prazo de cinco dias úteis sem remuneração ou correção monetária. Ficam responsáveis as instituições intermediárias autorizadas a operar na Bolsa de Valores de São Paulo comunicar aos respectivos investidores a interrupção da Oferta.

O coordenador líder da oferta é o Banco Santander, gestor do fundo InfraBrasil, segundo maior acionista da Renova, com 32,18% do capital, e o BofA Merrill Lynch também atua na coordenação da oferta.

Renova adia captação e vai redefinir condições


  • 18 Mar 2010
  • Valor Economico
  • Josette Goulart
  • De São Paulo


A seletividade dos investidores, que deu sua mostra na operação da OSX, também afetou a oferta da Renova Energia, a primeira empresa de energia limpa a tentar captar recursos na bolsa de valores. O mercado mostrou que não está tão de bom humor assim para aceitar ofertas de empresas que ainda são pré-operacionais, caso da OSX e da Renova, aos preços que essas companhias almejavam.

Na formação do preço dos certificados de ações da elétrica, que aconteceria ontem, os investidores compareceram, mas se dispuseram a pagar menos do que pretendia a Renova. Dessa forma, a companhia decidiu adiar a oferta e redefinir as condições.

A ideia da empresa era captar cerca de R$ 600 milhões, e o preço por unit poderia variar entre R$ 15 e R$ 17. Foram dadas ordens dentro dessa faixa, mas não o suficiente para todo o lote de ações ofertado. Dessa forma, a empresa deve reduzir o volume a ser captado, o que afeta a liquidez dos papéis.

A empresa vendeu 270 MW de energia eólica no leilão do governo federal do ano passado e tem de investir R$ 1 bilhão para erguer os empreendimentos até 2012. A intenção de ir ao mercado era também para poder financiar sua expansão, já que o governo pretende fazer novo leilão neste ano.

Esse foi o primeiro teste de uma empresa de energia limpa na bolsa. Mas alguns analistas acreditam que o fato de a companhia ter adiado a emissão não compromete a operação, apenas redefine o patamar de preços. Esse analista lembra, por exemplo, que outras ofertas recentes, como a da Multiplus, empresa do grupo TAM, também acabaram saindo por um valor menor do que o pretendido.